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As escolas da gestão e a gestão da Instituição de Ensino

As escolas da gestão e a gestão da Instituição de Ensino

As escolas da gestão e a gestão da Instituição de Ensino

Os modelos de gestão em empresas podem ser estabelecidos através de análise de como são definidas, ou percebidas, as estratégias utilizadas por elas. Segundo Kaplan e Norton “a estratégia de uma organização descreve como ela pretende criar valor para seus acionistas, clientes e cidadãos”. Mas, segundos os mesmos autores, não existem duas organizações que pensam sobre estratégia da mesma maneira: enquanto algumas descrevem sua estratégia sob ponto de vista de planos financeiros, outras se prendem a qualidade e aos processos, sob a perspectiva dos recursos humanos, no desenvolvimento tecnológico ou ainda com base em seus produtos e serviços. Esses conceitos são apresentados no livro Mapas estratégicos – Balanced Scorecard: Convertendo Ativos Intangíveis em Resultados Tangíveis, que deve ser adotado por todos que trabalham na gestão de empresas.

O desenrolar do processo de gestão de empresas levou ao estudo das escolas de estratégias, publicado por Mintzberg, Ahlstrand e Lampel no livro Safári de Estratégia: um Roteiro pela Selva do Planejamento Estratégico. Inicialmente podemos achar que é teórico demais para a aplicação em nossas empresas (sobretudo Instituições de Ensino), mas estuda-los pode significar reconhecer em que era estamos e que caminhos precisamos seguir para evoluir na gestão.

O estudo leva a compreensão que as estratégias são impulsionadas pelo aumento da concorrência. A relação feita pelos autores é direta: toda vez que a concorrência aumenta, uma nova escola de estratégia surge para auxiliar a gestão da empresa a alcançar melhores resultados financeiros.

As estratégias foram classificadas em 10 escolas dividas em três grupos:

  • Natureza prescritiva: Escolas do Design, Planejamento e Posicionamento;
  • As descritivas: Escolas Empreendedora, Cognitiva, Aprendizado, Política/Poder, Cultural e Ambiental;
  • A integrativa: Escola da Configuração.

  • Para reconhecer onde está a gestão da sua empresa, aqui vai um pequeno resumo das escolas:

    1 - A Escola do Design

    Esta escola representa a visão mais influente do processo de formação de estratégia. Ficou famosa a noção de SWOT – avaliação dos pontos fortes, e dos pontos fracos da organização, bem como as ameaças e oportunidades do ambiente. Sua contribuição foi importante pois desenvolveu um vocabulário para se discutir grandes estratégias e forneceu a noção de que a estratégia representa uma fundamental adequação entre oportunidades externas e capacidade interna.

    A avaliação dos pontos fortes, dos pontos fracos, das ameaças e oportunidades do ambiente passou pautar a gestão de Instituições de Ensino na década de 1990, quando se deu o início do movimento pela profissionalização da gestão do negócio educação. A aceitação pode ser atribuída a facilidade com que um gestor acessa informações relevantes sobre seu negócio, além da rápida compreensão do conceito e consequente aplicação da ferramenta estratégica em diversos níveis da organização.


    2 - A Escola do Planejamento

    A mensagem central desta escola: procedimento formal, treinamento formal, análise formal e muitos números. Entre suas premissas fundamentais está a ideia de que deve haver um processo controlado e consciente de planejamento formal, dividido em fases das quais resultem as estratégias. O gestor principal é o responsável por esse processo, mas, na prática, a execução e a responsabilidade ficam com os planejadores. Desse processo surge pronta a estratégia, que deve ser implementada por meio da atenção detalhada a objetivos, orçamentos, programas e planos operacionais de tipos variados.

    As duas primeiras escolas – design e planejamento – enfatizam a estratégia enquanto conteúdo, e formam a base dos cursos de administração estratégica bem como de grande parte da própria administração estratégica. Sob o ponto de vista da gestão de Instituições de Ensino, a influência ultrapassa as fronteiras da gestão administrativa. A cobrança pelo planejamento formal passou a ocupar espaço na ação docente, levando a exigência, por parte das escolas, da elaboração de planos detalhados de cursos e de aulas.


    3 - A Escola do Posicionamento

    O livro Competitive Strategy, de Michael Porter, foi o divisor de águas, em 1980, ainda que não seja o texto fundador dessa escola, congregou os interesses de uma geração de acadêmicos e consultores, desencantados com as escolas de design e de planejamento.

    Segundo o ponto de vista da escola do posicionamento, estratégias são posições genéricas da firma dentro da empresa; o contexto de formulação dessas estratégias é econômico e competitivo; a formação de estratégia é uma seleção de posições genéricas baseadas em cálculos; os gerentes controlam as opções baseadas nos resultados dos cálculos dos analistas, que são importantes neste processo. Dessa maneira, as estratégias saem desse processo prontas para serem implementadas.

    O modelo de análise competitiva de Michael Porter identifica cinco forças no ambiente que influenciam a concorrência:

    1. Ameaça de Novos Entrantes;
    2. Poder de Barganha dos Fornecedores da Empresa;
    3. Poder de Barganha dos Clientes da Empresa;
    4. Ameaça de Produtos Substitutos;
    5. Intensidade da Rivalidade entre Empresas Concorrentes.

    As características de cada uma dessas forças explicam por que uma empresa adota uma determinada estratégia. Existem apenas dois tipos básicos de vantagem competitiva: baixo custo ou diferenciação, e essas vantagens, combinadas ao escopo de uma determinada empresa, formam as estratégias genéricas de Michael Porter.

    As Instituições de Ensino respondem basicamente da mesma maneira. Ao criarem diferenciações, elas passam a brigar por nichos específicos de mercado e podem cobrar mais por isso. As que não conseguem se diferenciar entram na disputa por preço.


    4 - A Escola Empreendedora

    A formação da estratégia é baseada na experiência e na intuição do líder. A palavra-chave nessa escola é “visão”. O processo de formação de estratégia é incumbência exclusiva do líder. A estratégia é um senso de direção de longo prazo, uma visão de futuro. A estratégia tende a assumir forma de nicho. A origem da escola empreendedora está na economia. Karl Marx elogiava os empreendedores como agentes de mudanças. Para Josph Alois Schumpeter, o empreendedor é a pessoa com a ideia do negócio.

    A crítica a esta escola está na concepção de que a estratégia está totalmente a cargo de um único indivíduo, o líder, e a empresa estará em sérias dificuldades se acaso perca esse indivíduo. Contudo, existem situações em que a perspectiva dessa escola é a mais apropriada: uma nova empresa, uma antiga empresa com problemas e em muitas pequenas empresas. Esse caso se assemelha a muitas Instituições de Ensino que surgiram para realizar o sonho de um educador.


    5 - A Escola Cognitiva

    Para compreender a visão e a formação estratégica é preciso sondar a mente do estrategista. Chegar ao que este processo significa atingir o campo da cognição humana, com auxílio da psicologia cognitiva. Um consenso nessa escola é que as estruturas mentais (mapas, conceitos, molduras, esquemas, enredos, planos e modelos mentais) são pré-requisitos essenciais para a cognição estratégica. É preciso compreender a mente humana para compreender a formação estratégica. Sob esse aspecto, formação da estratégia está na dependência da Psicologia Cognitiva.

    Em uma Instituição de Ensino essa escola está presente quando a estratégia é representada pela materialização das ideias de um grupo de profissionais. Isso acontece quando há a elaboração de um planejamento participativo, que geralmente se atém a área pedagógica.


    6 - A Escola do Aprendizado

    Num mundo em mudança, onde a estratégia adquire formas complexas, o estrategista aprende ao longo do tempo. Entretanto, também a organização aprende, aprendizado este que surge de forma emergente.

    A Escola do Aprendizado tem conexão muito próxima com a responsabilidade pedagógica das Instituições de Ensino. Ao promoverem um aprendizado a longo prazo, assume-se que o aluno aprende ao longo do tempo e que, consequentemente, a escola também deve aprender.

    Nesse caso, a função da liderança é gerenciar o processo de aprendizado estratégico, por onde podem surgir novas estratégias, fazendo com que o conhecimento gerado na sala de aula e na gestão da instituição possam servir de insumo para este fim. Sendo assim, de acordo com essa escola, primeiro aparecem as estratégias como padrões do passado, depois como planos para o futuro e por fim como perspectivas para guiar o comportamento. A gestão funciona como um evolução a partir dos acertos e erros do passado e do presente.


    7 - A Escola do Poder

    A estratégia é formada pelos processos de influência, busca de poder e negociação, seja dentro da organização (política interna) ou como um comportamento próprio em ambiente externo. As estratégias são emergentes e são mais posições e meios de iludir do que perspectivas. O poder micro vê a formação estratégica como barganha, persuasão e até como confronto direto, na forma de jogos políticos, nos quais nenhum interesse domina por muito tempo. O poder macro vê tanto nas manobras estratégicas como nas estratégias coletivas, nas redes e alianças, a promoção de seu próprio bem-estar. A crítica a esta escola é a excessiva e quase exclusiva concentração no poder como determinante da formação estratégica.

    Não é de se estranhar em a Escola do Poder esteja tão presente em processos de gestão de Instituições de Ensino de capital familiar, onde apenas um acionista é o responsável pela estratégia da empresa. Nessas empresas, o poder micro está presente nas oportunidades de ascensão profissional, como na escolha de coordenadores pedagógicos, que geralmente são professores.


    8 - A Escola Cultural

    Antes de 1980 e do sucesso das empresas japonesas não existia literatura sobre cultura em administração, exceto pela Escandinávia, onde em 1965 foi formada a Scandinavian Institutes dor Administrative Research – SIAR, uma organização sueca com enfoque em pesquisa e consultoria.

    O processo de interação social compõe a formação de estratégia, de acordo com crenças e interpretações comuns aos membros de uma organização. Essas crenças e interpretações são adquiridas por um processo de socialização ou aculturação, que é, em grande parte, tácito. Em função disso, a estratégia é uma expectativa enraizada em intenções coletivas (deliberadas), e existe a tendência à perpetuação da estratégia, não se encorajando as mudanças.

    A Escola Cultural é presença constante na gestão de Instituições de Ensino tradicionais, que dependem do passado como certeza para a garantia do sucesso futuro. Para esse estilo de instituição de ensino, a perpetuação da estratégia é levada pelos seus próprios funcionários, que em geral também participaram da criação dela.


    9 - A Escola Ambiental

    A liderança é um elemento passivo que serve para ler o ambiente e adaptar a organização a ele. O ambiente é o agente central no processo de geração de estratégia. A organização tem que reagir a este ambiente ou será eliminada. Para isso, a leitura constante do mercado e das necessidades dos clientes, é o mote principal para a correta tradução do ambiente onde a instituição está inserida.

    Nessa escola o estrategista não tem importância alguma, já que as empresas que tem modelos de gestão compatíveis com ela deixam com que o ambiente externo molde sua estratégia.

    No paralelo com a gestão de Instituições de Ensino, estão presentes nessa escola as que não possuem estratégias claras, e sim repetem as dos seus concorrentes.


    10 - A Escola da Configuração

    Geralmente uma organização pode ser definida como um tipo de configuração, que num determinado período adota estruturas adequadas a seu contexto. Isso ocasiona determinados comportamentos e gera um conjunto de estratégias. A estabilidade eventualmente é interrompida por algum processo de transformação. O ciclo de vida das organizações pode ser descrito pela alternância entre períodos de configuração e de transformação. Desta maneira, sustentar a estabilidade é a chave para a administração estratégica. Essa escola considera que as empresas, ou são estáticas, ou estão mudando rapidamente.

    Esse paradigma existe corriqueiramente em Instituições de Ensino, principalmente quando constrói-se a certeza de que há acertos claros e que nada precisa ser melhorado. A sociedade em evolução indica que a necessidade de mudança não permite que as empresas fiquem estáticas.

    E a sua Instituições de Ensino?

    As diferentes escolas de estratégias descritas no trabalho de Mintzberg, Ahlstrand e Lampel mostram que a evolução gerencial nasce da necessidade de organizar o pensamento em caixas estanques, como realizado na Escola do Design com a criação da análise SWOT, evolui com a obrigação de se planejar o sistema de gerenciamento, de posicionar a empresa perante o mercado e aos clientes, de ter a iniciativa desenvolver uma estratégia, de analisar o que está por trás do pensamento do líder, de aprender com tudo e com todos para errar menos, da capacidade de influenciar e negociar uma estratégia, com objetivo da busca pelo poder, da análise da história de vida e cultura de cada membro da empresa, da análise do ambiente em que a empresa está inserido e da necessidade da empresa em se adaptar rapidamente ao mercado onde estão inseridos.

    Não é difícil analisar esse ciclo e compará-lo ao desenvolvimento da sociedade, que no princípio recebia produtos prontos, sem questionar sobre sua origem e sem espaço para sua opinião, passa pela exigência em receber o produto que melhor conviesse com qualidade desejada, evolui para a necessidade de respeito ao meio ambiente onde o produto é desenvolvido, e chega a necessidade de customização quase individual do processo de produção.

    Em uma Instituição de Ensino o processo não é diferente. Apesar de a empresa prestar um serviço educacional, ele também passou por fases similares, desde a educação jesuíta, no século XVI, até a necessidade de respeitar a história familiar do aluno para desenvolver um processo de ensino e aprendizagem quase único em uma escola.

    Onde está posicionada a estratégia da sua Instituição de Ensino?


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    COMENTÁRIOS

    Luiz Cezar Vasques (10/04/2013)

    Caro Prof. Denis, Gostaria de parabenizá-lo pelo artigo "As escolas da gestão e a gestão da Instituição de Ensino". Com minha experiencia como Diretor de planejamento da UNISUAM e professor de Gestão Estratégica no curso de Administração, fiquei bastante impressionado com seu poder de síntese e adequação das associações de posturas das IES com as Escolas. Com certeza usarei seu artigo como ferramenta tanto acadêmica como no desenvolvimento de gestores de IES.

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